Este site dedica-se a resgatar, divulgar e valorizar experiências inovadoras em política urbana e habitacional de gestões municipais de um período cuja pesquisa que o fundamenta reconhece como Ciclo Virtuoso das Prefeituras Democráticas e Populares.

Essas práticas buscaram combater as desigualdades sociais e fortalecer o poder local, promovendo a inclusão da população nas decisões e contribuindo para a construção da cidadania. Algumas delas começaram ainda durante a ditadura militar.

Este acervo foca nas gestões municipais do período entre 1986 e 2000, oferecendo uma coleção catalogada de documentos históricos, incluindo revistas, jornais, cartazes e folhetos, muitos dos quais foram digitalizados para este repositório.

COMO NAVEGAR NO SITE
O ACERVO é a área principal, onde documentos históricos estão catalogados e podem ser filtrados conforme diversas categorias.

O MAPA auxilia na geolocalização das experiências documentadas, oferecendo uma visão espacial das iniciativas.

A seção de VÍDEOS apresenta produções que contextualizam e ilustram o tema da pesquisa.

A CRONOLOGIA organiza eventos em linhas do tempo interativas, permitindo uma exploração cronológica detalhada das gestões municipais.

Links com o ícone 📁 levam ao resultado de uma busca na coleção de documentos ou diretamente aos detalhes de um item do ACERVO.

Apresentação

Entre o início dos anos 1980 e o final dos anos 1990, o Brasil vivenciou uma fase de inovações em diversas administrações municipais. Definida nesta pesquisa como o Ciclo Virtuoso das Prefeituras Democráticas e Populares, foi um período em que, quase exclusivamente com recursos próprios, essas prefeituras fizeram a diferença na política urbana e habitacional.

Esse momento é reconhecido por gestões alinhadas com a busca pela superação das históricas desigualdades sociais em diversas cidades brasileiras, marcando um importante momento de transformações. O ciclo engloba principalmente os anos de 1986 a 2000.

Em vez de se apoiarem nas ações desenvolvidas nos países do “primeiro mundo”, essas prefeituras desenvolveram propostas originais e adequadas ao contexto brasileiro.

Ao não adotarem “ideias fora do lugar”, conforme cunhou Roberto Schwarz, responderam às demandas imediatas das cidades brasileiras com propostas baseadas na inversão de prioridades nos investimentos e nos serviços oferecidos à população.

Essas iniciativas confrontaram o fisiologismo e as formas de privatização da esfera pública, distinguindo-se pela participação direta da população em um processo contínuo de construção de cidadania.

Durante o ciclo virtuoso, vários programas alcançaram repercussão no exterior, sendo implementados em outros países ou destacados em eventos internacionais da ONU-Habitat. Entre os mais celebrados, destacam-se o Orçamento Participativo, os Corredores de Ônibus e a Urbanização de Favelas.

Os programas abrangiam temas diversos como descentralização administrativa, conselhos populares, integração de transportes, tarifa social e tarifa zero, agricultura urbana, segurança alimentar, equipamentos públicos, além de iniciativas em saúde e educação.

Nesse período, o direito à arquitetura foi amplamente defendido por meio de experiências de produção em cogestão com associações de movimentos de moradia e assistência técnica de arquitetos, engenheiros, advogados e assistentes sociais, em contraste com a repetição dos modelos de conjuntos habitacionais típicos do regime militar.

O encerramento do ciclo deve-se a uma conjunção de fatores políticos e econômicos. No entanto, as condições estabelecidas ao longo de quase duas décadas de experiências inovadoras nos municípios foram fundamentais para a eleição de um governo federal que deu início a uma nova fase de envolvimento em questões urbanas e habitacionais.

Quarenta anos após as primeiras experiências e uma década turbulenta que gerou novas fissuras na democracia brasileira, resgatar as memórias do Ciclo Virtuoso das Prefeituras Democráticas e Populares pode abrir caminhos para refundar utopias e reinventar a política. É o que este site busca provocar em quem navega por ele.

legenda
Livreto informativo da prefeitura de Londrina (1993-1996) sobre o Morar Melhor, programa de urbanização e regularização de favelas.

13. 📁 Vamos entrando que a casa é nossa: Programa Morar Melhor. A urbanização e a regularização de favelas e assentamentos em Londrina. Londrina: Prefeitura Municipal de Londrina, 1995
legenda
Jornal informativo da prefeitura de Icapuí (1993-1996), utilizado para comunicar e divulgar ações, projetos de desenvolvimento comunitário e eventos da gestão municipal.

16. 📁 Jornal informativo da Prefeitura Municipal de Icapuí. Icapuí: Prefeitura Municipal de Icapuí, Dez. 1995
IMPRESSOS

Impressos como folders, cartazes, livretos e panfletos por muito tempo foram fundamentais na mobilização e no engajamento comunitário, funcionando como ferramentas de agitação e propaganda.

Esse material pode promover a disseminação de informações, popularizar o acesso ao conhecimento e ampliar a conscientização sobre políticas e iniciativas governamentais, estabelecendo uma comunicação “corpo a corpo” com os cidadãos.

Cartazes e panfletos, em particular, foram amplamente utilizados como instrumentos de mobilização social pelas gestões municipais durante o ciclo virtuoso, tendo sido empregados em campanhas destinadas a informar a população sobre direitos civis, consultas públicas e orçamentos participativos, incentivando a participação popular nas decisões locais. Esses materiais comumente exibiam slogans e imagens impactantes que chamavam atenção aos problemas do cotidiano dos cidadãos, motivando-os a agir e a participar ativamente.

O uso frequente de histórias em quadrinhos, charges e ilustrações facilitava a compreensão e engajava a população de maneira envolvente. Esses formatos simplificavam conceitos, tornando a aprendizagem acessível e atraente para todos os níveis sociais e faixas etárias.

legenda
Página de livreto da prefeitura de Angra dos Reis que detalha a formulação do Plano Plurianual 1991-1993, a LDO e o Orçamento de 1991, desenvolvidos por meio de processo participativo.

📁 Para onde vai o seu dinheiro? Angra. Angra dos Reis: Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, 1991

Durante a realização de um orçamento participativo, folders explicativos detalhavam o processo e os mecanismos de participação cidadã, garantindo que todos tivessem a oportunidade de entender como poderiam contribuir e influenciar a distribuição dos recursos municipais.

Os impressos também funcionavam como registros físicos das atividades governamentais e serviam para a prestação de contas das ações e serviços oferecidos pelas prefeituras, sendo até publicados como livretos de bolso.

SAIBA MAIS

📰 Gestão urbana brasileira com participação popular inspira cidades no exterior

Jornal da USP, dez. 2025
Por Ivanir Ferreira

📰 Prefeituras brasileiras tiveram seu ciclo virtuoso entre final dos anos 1980 e 2000

Jornal da USP, nov. 2025
Por Antonio Carlos Quinto
conteúdo em áudio

📰 Acervo on-line registra ciclo virtuoso de gestões municipais brasileiras entre 1980 e 2000

Jornal da USP, dez. 2024
Por Carolina Borin

📰 De todos ou de ninguém — Lições do passado para o futuro das cidades no Brasil

Carta Capital, dez. 2024
Por Erminia Maricato e Pedro Rossi
artigo na edição impressa

notas

Dr. Pedro Freire de Oliveira Rossi
pedrorossi@.usp.br
Desenvolvimento e pesquisa

Profa. Dra. Erminia Maricato
erminia@usp.br
Coordenação e orientação
Plataforma desenvolvida no âmbito da pesquisa sobre “O Ciclo Virtuoso das Prefeituras Democráticas e Populares no Brasil“. O estudo integra o LABHAB-FAUUSP e articula-se ao INCT Produção da Casa e da Cidade.
🏆 Prêmio ARQUISUR 2025Primeiro Lugar Categoria Teses de Doutorado — Associação de Escolas e Faculdades Públicas de Arquitetura, Urbanismo e Design da América do Sul.
A catalogação dos itens desta pesquisa é realizada por meio do Tainacan, software livre de código aberto voltado à catalogação e ao gerenciamento de dados, amplamente utilizado em projetos de pesquisa e plataformas educativas.